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PALAVRAS QUE FALAM



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Sou uma apaixonada por palavras.

Principalmente àquelas que promovem um sorriso na boca estilo Mona Lisa.

São as que promovem um sútil equilíbrio entre a ausência total de sobriedade e a gargalhada escancarada.

Expressam sabores, cheiros e sensações despertando desejos adormecidos.

Cumprindo as determinações de isolamento social nessa pandemia fiquei me deliciando com elas, sorvendo-as e me embebedando.

Sinto aquele calorzinho gostoso no peito quando penso em “aconchego” e logo me sinto protegida pois ela me remete ao “colo” e daí para “abraço” é um pulo.

Inevitavelmente não dá para descartar: “beijo”. É complemento, suplemento e fundamento de tudo o que é quente e gostoso.

Meu olfato se alarga com “café”. Ah, o “café”! “Café” é pausa. Seu cheiro chama, convida, propicia companhia, encontro, intimidade, culpa e desculpa.

O “aroma” úmido provocado pela “chuva” no solo quente me inebria. “Terra molhada” é um ícone. Não há como não captar etereamente o impacto que esta expressão significa.

A palavra como algo mítico nos transfere para outra esfera de consciência. Permitir-se embarcar nesta viagem é experiência única. Experimenta. Estou te convidando a sentir o pisar na “grama” descalça. Vamos?!

Não posso deixar de mencionar “chocolate” – essa é uma das minhas preferidas e derrete na boca só de pensar.

“Azul” - como não olhar para o céu ou sentir vontade de molhar os pés nas águas do mar, o que nos leva rápida e magicamente para “areia”, lá onde nossos pés são acariciados e confortados.

“Tesão” – esta é forte. Invade, corrói, incendeia, dá para sentir queimar.

Temos as duras também, elas existem, não posso negar. “Mármore” me conduz para “lápide” e choro de “saudade” de alguém que perdi e não verei mais por aqui.

A “lágrima” que pela minha face escorre e toca minha boca com seu sabor salgado me dá fome e vontade de “batata frita” e “pipoca”, esta última me pega pela mão e me leva ao cinema onde sentada em casa fecho os olhos e assisto ao filme da minha vida.

São muitas as palavras e inefáveis emoções.

Senti vontade de “sonhar” e enquanto não posso te abraçar fui "dançar".




Imagem: Unsplash/Brett Jordan

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