MACHISMO ESTRUTURAL



O cenário é uma casa legislativa municipal.

Casa de Leis situada em grande metrópole de um país sul americano.

Em pleno século 21 a representatividade feminina no parlamento ainda é diminuta se considerarmos que as mulheres, nesta localidade em especial, somam 54,71% dos eleitores registrados oficialmente.

Neste lugar as mulheres representantes da população são subalternizadas e não ocupam lugar com qualquer possibilidade de destaque. São colocadas em funções que não afetam a dinâmica de poder na instituição. Ocupam espaço figurativo, como forma de gentileza e fidalguia dos homens de preto.

Infelizmente tal prática não se resume às representantes eleitas. Tal conduta abarca por extensão as funcionárias neste contexto inseridas.

Ocupantes femininas de cargos de chefia, de todos os escalões, são na maioria das vezes tratadas como simples “carregadoras de papel”. Marginalizadas, discriminadas e silenciadas.

Não têm voz, não conseguem falar e quando conseguem não são ouvidas. Impera a ausência de empatia, educação e qualquer outra atitude abjeta que se pretenda aqui elencar.

Os desmandos invadem suas áreas de chefia de forma acintosa e repulsiva.

Invisibilizam suas figuras, empurram-nas para as margens do anonimato jogando-as no ostracismo da figuração sem opção.

Eles, os homens, locupletam-se de seus trabalhos, intelectos e ideias.

Impotentes, exauridas e encurraladas inacreditavelmente nos dias atuais, mesmo após todo o caminhar histórico da humanidade.

Quando aviltadas, recebem solidariedade em forma de concessão e gentileza como favor e não como direito e reconhecimento de capacidade e identidade.

Sororidade inexiste em detrimento da sobrevivência de suas ilusórias companheiras.

Não estamos satisfeitas. Não ficamos “tranquilas”. Não somos loucas. Não vamos aceitar este “normal”.

Exigimos respeito como mulheres, fêmeas e integrantes da humanidade.

Não admitiremos sermos tratadas como menos e desconstruídas em nossos pensamentos, ações e integralidade.

Somente a união nos elevará ao patamar outrora surrupiado de nossa evolução.

Façamos valer nossa voz.

O fortalecimento da participação efetiva das mulheres nos Parlamentos torna-se essencial e urgente para garantia de que não vamos continuar sendo prostituídas em nossa essência com usurpação de nossos recursos fundamentais.

Só assim para romper as amarras e mordaças deste machismo estrutural que nos mutila e corrompe por séculos.




Imagem: Unsplash/Raamin Ka