PANDEMIA


Somos muitos.

Em algum momento os invisíveis mostrariam suas caras. Fato.

Não aprendemos a enxergar o que não conseguimos ver.

Não adiantou nada ficar olhando para o espaço.

Tampouco para debaixo da terra.

De surpresa entrou, tomou conta, dominou e fez a festa.

Com tanto filme de ficção, ninguém levou fé na imaginação?

Somos um – para alguns.

Únicos no mundo para a maioria, que procria em liturgia em nome da economia.

A realidade prova através de inequívocos sinais que somos iguais.

Que os últimos não serão os primeiros.

Inexistem as diferenças. As castas não imperam.

Quem tem dinheiro morreu primeiro.

Muito já se sabe. Muito ignoramos.

Muito está por vir.

Aprendizados aos borbotões.

Sem chão.

Sem teto.

Sem pão.

Profetas não preveem, silenciam uníssonos deixando a humanidade desprovida de previsibilidade.

Os donos do mundo tentam em vão salvaguardar a continuidade.

Porém, no desenho da novidade, a imprevisibilidade protege a criatura do criador de indignidade.

Tudo é vida. Tudo gira. Tudo conecta.

Quando nos esquecemos do que somos feitos. Quando desdenhamos da criação. A natureza mostra seus efeitos e nos coloca de novo com os pés no chão.

Não penses que é Deus. Não invoque seu nome em vão.

Não penses que controla.

Sem ter a quem culpar. Sem ninguém para perseguir. Sem forca nem fogueira.

O mal vai se esconder justo dentro de você.

Se na força quiser matar.... você morre em primeiro lugar.

Não desconjure o que a existência por exigência veio a criar.

Não acredite em tudo...ou em nada.

Feche os olhos, tampe os ouvidos, sinta, pressinta.

Pense no recado.

Observe o traçado.

Homenageie a vida.

Ela é rara.




Imagem: Unsplash/Claudio Schwarz

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