CINELÂNDIA


É um cenário e tanto. Inegável. Foi e continua sendo referência em matéria de entretenimento, dependendo do ponto de vista. Até um convento já se aninhou em seus braços. Nos dias atuais é palco eminentemente direcionado para o político.

Este ano em especial brilhou, enquanto espaço, por abrigar ainda que involuntariamente, todos os movimentos e manifestações que sacudiram o país.


Sua carismática efervescência deu sinais indeléveis com a chegada das águas de março trazidas pela enxurrada que reverberou os movimentos feministas mundiais decorrentes das comemorações pelo dia internacional da mulher.

Substantivo feminino sofreu e pulsou sofregamente ao ceder seu solo para passagem de uma de suas mais aguerridas representantes quando de seu brutal assassinato.

Até ela em 2018 vieram todos os cidadãos - sem exceção - para expressão e apoio as mais diversas bandeiras: #elenão; #elesim; #lulalivre;#foratemer; #museunacional e tantas outras.

Deleitou-se. Encheu. Esvaziou. Vibrou. Contagiou.

Em intervalos ocasionados por descanso forçado de seus manifestantes, distraiu-se com os artistas anônimos de rua - o baterista que aprendeu o ofício sob o sol escaldante; a estátua viva do Saci-Pererê; o vai e vem do VLT - e com hordas de turistas e carentes desvalidos que se aninham languidamente em seu contorno voluptuoso.

Vangloria-se de seu entorno por abrigar prédios que exalam cultura e ditam as regras de nossa sociedade, bem como os camelôs e vendedores de pipoca heróis sobreviventes sobre seu solo.

É ela, para ela e por ela que escrevo e me declaro.

Cenário de minha rotina, termômetro da minha sobrevivência. Sinto nela o presente, lembro-me do passado, pressinto meu futuro no ir e vir da Cinelândia.

Imagem: elaborada pela autora


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