DIAS DOS MORTOS


Alvíssaras – falou sorrindo.

Ouvia o presságio adentrar meus sonhos roubando-me os planos.

Considerei me entregar para evitar a disputa.

Pensava assim enganar o destino.

Por sorte ou sem sorte.

Morto sorrindo a tudo observa impávido.


Seduzia.

Retrucava resoluta e insólita:

O meu presente não te pertence.

Ainda não coloquei traço no caminho, nem riscado no bordado. Meu rastro não tem pegadas.

A vitória não me escolheu.

Sussurrava em meus ouvidos:

Acalente-se em meus braços, faço-lhe retoques e babados.

Apago de você lembranças mal traçadas e desnutridas.

Rezava um cruz credo para afastá-la de mim.

Esconjurada.

A insônia protege o sono perturbado.

Não pregava mais o olho.

Não tardou acontecer.

Uma bênção auspiciosa me entorpeceu.

Desapegar-me-ia da materialização do ser.

Exausta e insone sucumbi a Morfeu

Tinha morrido muitas vezes em vida e este era o meu regalo.

Antes esquecida do que mal lembrada.

Ressurgiria magnânima em um outro condado.

Imagem: Autor desconhecido - em exibição no Parque da Ruínas - RJ - em festa temática do "Dia dos Mortos - México"


118 visualizações

© 2017 Cristina Fürst. All Right Reserved.