A CARTA

Atualizado: 21 de Ago de 2019


Cristina:

Escrevo para te contar que esta semana falei com Deus e lembrei de você.

Você vai achar estranho eu ter lembrado de você justo na hora em que falava com Deus.

Mas na vida tudo não é estranho?

Encontrei com Deus quando fui mergulhar no mar bêbado e pelado.

Outra coisa estranha, você vai dizer.

Eu diria no mínimo vexatória.

Contudo não era meu intuito encontrá-lo, muito pelo contrário.


Como deve acontecer em todo encontro com Deus, imagino, não tem jeito de você não falar da vida.

Quando dei por mim já estava falando da minha. Fato que evito a todo custo no meu dia a dia.

Foi onde entrou você.

Percebi que não tinha como falar da minha vida sem falar de você.

Não fique prosa.

Não é para tanto. Nem mesmo Deus prestou atenção nisso.

Deus me fez ver que apesar de pelado, nu, eu estava completamente vestido. Vestido de você.

Esclareceu-me que minha entrega ao mar em forma de oferenda, carregava contorno e simbolismo do paradoxo da vida, ficando claro que de volta à liquidez queria renascer.

Assim entendi.

Fiquei fascinado.

Por isso te escrevo, para te apresentar o meu novo eu.

Essa carta não é rascunho para um obituário. Nem motivo para luto improvável.

É a certa comunicação de fato de que feita a catarse, o eu renovado não rompeu com o passado, mas sim o expeliu,abrindo espaço para um futuro nunca antes desenhado.

Nada fora do usual.

Achei que você ia gostar de saber.

Com um “Adeus” eu me despeço.

Com um “Até breve” meu eu se imortaliza em você.

“W”

Obs.: Exercício Escola Passagens - Personagem que após um encontro com Deus te envia uma carta.

Imagem: Unsplash/Trinity Treft


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