MÚSICA NA VIDA


Colocou o fone de ouvido. A esquizofrenia abduzida resgata a alma, que liberta salta do corpo comandando-o.

Morre o cérebro subjugado.

O som alto em seu tímpano conduz o espetáculo de liberação do eu elevado à potência máxima.

A vida com trilha sonora propicia desfechos majestosos.

A alma compassiva liberta os desafetos na intensidade com que ama os afetos.

O estado de contemplação se agiganta.


As cores expandidas gritam.

As decisões acertadas e nunca equivocadas pululam como sapos no brejo da ignorância fadada.

Não caminha, levita.

O sorriso isolado debocha do medo execrado.

A autoridade retira o objeto magicamente colocado.

A realidade ofusca o transe fugaz. A consciência se refaz.

A visão ofuscada aprisiona os anseios. A audição prejudicada não absorve sinais.

A rotina abafa o som dos desejos ardentemente sonhados.

Veste a mortalha da moda e marcha para o trabalho.

Move os lábios em estereótipos de sorrisos.

Ignora os desafetos, mal retribuiu afetos.

Prisioneiro no inferno por remorso indigesto, clama pela música sequestrada de sua audição ora abjeta.

Imagem elaborada pela autora


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