CRÔNICA DA VIDA PÚBLICA E PRIVADA


Na vida pública saio de casa às nove da manhã, cumprimento o zelador, as faxineiras do prédio, o porteiro e entro no meu carro popular da garagem do edifício onde moro. Em seguida, rezo, do meu jeito, pedindo àqueles em quem confio, mortos ou vivos, para que me protejam. Levo cerca de quarenta minutos a uma hora para chegar no trabalho. Chegando no trabalho caminho aproximadamente trezentos metros até a minha sala, cruzo a Praça Floriano, na Cinelândia, palco espelho da política e cultura do país.

Chegando ao meu departamento, cumprimento funcionários, despacho projetos, solicito procedimentos administrativos, caso necessário, ouço pedidos, esclareço dúvidas, oriento estratégias para plenário, ouço sobre a vida de quem quer contar, além de perceber os olhares, pensamentos e conjecturações daqueles que gostam e desgostam de mim.

Aproximadamente oito horas mais tarde saio de meu trabalho, enfrento um trânsito de uma hora, paro para fazer exercício físico, chego afinal em casa, cozinho, tento escrever, não consigo, leio e durmo, cansada e ainda sentindo a adrenalina no corpo.


Na vida privada, acordo me espreguiço, saio da cama pelo lado direito para dar sorte, faço meu café já curtindo o cheiro exalado pela cafeteira italiana. Sento na varanda de minha casa, olho para o céu e rezo agradecendo aos céus pela oportunidade de apreciar o amanhecer. Leio as notícias do dia, visto minha roupa de ginástica e vou para a calçada da orla me exercitar, apreciando a paisagem do Rio, visto que é o que ele tem de melhor, no momento.

Volto para casa, faço um suco no liquidificador, tomo uma ducha, cozinho um almocinho light.

Após vou para o escritório, sento na minha mesa em frente à minha plantação de lavanda e começo a escrever, prazerosamente, pois isso é tudo que amo fazer.

Depois de duas horas faço um café ou quem sabe um chazinho, dependendo do dia, sorvo ele quentinho, aquecendo minha alma que agradece em espírito, sento no sofá, coloco um vinil na

vitrola e leio um livro retirado de minha biblioteca pessoal que combine com os anseios do meu momento.

Já de noite, pego no celular, falo com a família, dou e recebo carinho, cuido dos meus, tomo uma taça de vinho e preparo o jantar com carinho para mim e meu amor.

Conversamos, rimos, trocamos, namoramos e vamos dormir com a certeza de que vivemos o melhor dos sonhos.

Imagem: Elaborada pela autora


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