JANELA


Começo pelo fim . Começos são cacete.

Não seria este então o começo de um fim sem começos?

O barulho dentro de mim não exaure a enxurrada de advertências e exclamações que mantêm a porta fechada.

Fechamento mata o fluxo.

O movimento se esvai.

Meios grandiosamente silenciosos e lacunares, enganam o tempo em uma sucessiva sequência de datas.

Com fim e sem começo, emparedo de cinza o natural.

Sem efemérides na vida . No ser.

Cultuo a onipotência festiva do nada.

A respiração enjaulada é página em branco.

Enquanto no fim adormeço, furtivamente pela janela entreaberta impacto o acontecer.

Pois o fim já conheço.

É ele sempre o começo.

Obs.: Exercício Escola Passagens - A palavra é: Janela


179 visualizações

© 2017 Cristina Fürst. All Right Reserved.